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Os tentáculos de quem nasceu na Ditadura

16 de setembro de 2009

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Eu já havia informado a vocês sobre tudo o que estavam perdendo ao não se cadastrarem no Twitter e dei ênfase a um fator que o mundo jamais vira, a aproximação dos ídolos com seus fãs através de uma ferramenta ilimitada para comunicação (mentira, é limitada em 140 caracteres, mas estou falando de outros limites). Porém, a disponibilização desta janela deu margem para o bizarro e para a verdade sobre determinadas celebridades, desmascarando discursos superficiais escritos por equipes e dublados pelos artistas, dando finalmente espaço para podermos descobrir o que verdadeiramente são e, nesse caso, estamos falando de erros ridículos de português, pensamentos estúpidos e caráter duvidoso. Bem, como era de se esperar, a Globo não gostou muito.

A ordem foi imediata. Lá de cima, foi enviado um comunicado aos artistas com contrato na Globo informando que eles não mais deveriam utilizar as ferramentas sociais (conforme podem ver aqui). A reação de determinadas celebridades foi instantânea. Bruno Gagliasso e Fernanda Paes Leme declararam publicamente serem contra a “censura” e a atriz chegou a desafiar, dizendo: “eu vou continuar por AQUI!”. Porém, a questão é muito mais profunda que o simples escândalo popular de “oh meu Deus a Globo está censurando os artistas!”

Vamos aos fatos. Se você é dono de uma empresa como a Globo, que trabalha com a própria imagem e necessita de artistas aclamados pela massa, é extremamente vital que haja algum tipo de trabalho forte em cima dessa questão. Logicamente, esses artistas precisam de autorização da empresa para darem certas entrevistas, têm assessoria e tentam sempre se manter dentro de uma linha digna do “padrão de qualidade Globo”. Isso porque, dentro desse universo, a imagem do artista reflete a imagem da empresa em pequena escala. Além disso, existem questões ainda mais importantes, como informações vazando pelos veículos de comunicação através dessas pessoas que, sem essa assessoria, estão suscetíveis a perder o controle e falar mais do que deveriam (ou no caso, contratualmente, realmente podem).

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Você consegue imaginar, por exemplo, o Tony Ramos concedendo entrevista a uma rádio e dizendo coisas idiotas e superficiais? Ou então a Xuxa, no Jô Soares, batendo boca com integrantes da platéia e dizendo: “vou embora, vocês não merecem falar comigo”? Não, porque existe um trabalho por trás guiando esses indivíduos ao comportamento adequado. Pois bem, o Twitter apareceu e transformou tudo numa verdadeira zona. O caso da Xuxa foi, provavelmente, um dos mais importantes (se não a gota d’água) para a Globo. Virou piada em todos os cantos da Internet, comprometendo a imagem da apresentadora e, por consequência, causando reflexos na própria empresa.

O Twitter não é tão diferente de outros veículos de comunicação. Ele atinge o público e cria um canal para que as pessoas tenham acesso aos seus ídolos. Porém, ao Twitter faltam questões fundamentais para a vida de uma celebridade: assessoramento e mediação. É um canal livre, onde o indivíduo fala o que quer, responde a quem quiser e, em mentes não preparadas para tal, pode criar confusões inimagináveis quando falamos de pessoas com milhões de fãs. O excesso de liberdade tem seu preço. Só para constar, Orkut e Facebook também entram na brincadeira e também foram “censurados” pela empresa.

Então, o que fazer nesse tipo de situação? Como controlar seus “funcionários” para não causar maiores estragos? A Globo optou por cortar o mal pela raiz, demonstrando mais uma vez sua completa falta de tato. Uma empresa arcaica que não evolui em pensamento, prossegue sempre com as idéias limitadas de quem nasceu no meio da Ditadura e a utilizou para crescer ilicitamente. O mundo evolui, mas a Globo só investe em câmeras e flashes.

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A palavra que estamos buscando aqui é normatização. Não, os artistas não podem sair pela internet falando o que bem entendem, da forma como preferem, isso por que eles têm uma imagem contratualmente ligada a uma EMPRESA. Da mesma forma que um ator de um comercial da Skol assina um contrato proibindo que ele beba qualquer outra cerveja em qualquer festa por determinado tempo. Por quê? Ora, mas é óbvio, se o cidadão for fotografado bebendo a tal cerveja, essa imagem levará resultados positivos para uma concorrente e comprometerá a própria Skol, que teve sua imagem representada pelo indivíduo. O mundo artístico é assim, vive de imagem e nada é mais fundamental. Logo, a normatização do comportamento dos artistas dentro do Twitter deveria ser o foco de atenção da empresa, realizando reuniões e instruindo os indivíduos para o jeito certo de se relacionar na web, além, é claro, de ter uma equipe especializada na verificação de todo o processo, “punindo” as atitudes erradas com consequências graves (o caso da Xuxa, por exemplo, merecia um verdadeiro esporro e talvez até multa). Mas como esperar isso de quem notoriamente só sabe fazer jogatinas políticas e tenta controlar a informação com mãos de ferro? É o verdadeiro “padrão Globo de qualidade”. Consigo até mesmo imaginar o diálogo da reunião:

– “Senhor, precisamos fazer algo com relação à utilização do Twitter por parte dos contratados”.

– “Twitter? Hm. Nunca vi, diga”.

– “Senhor, a Xuxa acabou causando um escândalo ao bater boca com pessoas que liam o que ela escrevia”.

– “O quê?!”

– Acredito que seja necessário normatizar esse uso, para que eles possam ter um comportamento adequado”.

– “Isso é um absurdo! Emitam um documento proibindo que utilizem!”

– “Mas senhor, isso pode ter resultados negativos, acho que devemos fazer um levantamento estatís…”

– “Cale-se e faça o que mandei!”

Uma coisa assim, bem arcaica. Não ficaria surpreso se me informassem que o documento foi enviado por fax. Nessa história toda, a única verdade que podemos enxergar é: Nem mesmo quando a Globo está certa, ela consegue acertar.

“Titio Neto, mas a Globo faz coisas certas sim! Tem várias minisséries de ótima qualidade” – Estou falando da alta cúpula, crianças, alta cúpula.

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