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A problemática dos Bailes Funk

5 de agosto de 2009

bailefunk

Como um todo, o ser humano possui uma particularidade negativa que vale ser ressaltada: a dificuldade em compreender culturas diferentes. Muitas vezes, sem perceber, agimos de forma preconceituosa até mesmo com compatriotas, por não conseguir enxergar que, num país com a diversidade cultural como o Brasil, é possível enxergarmos diversas formas de comportamento sem sequer sair da própria vizinhança. Um belo exemplo disso são as favelas.

Nasci e cresci no bairro do Engenho Novo, subúrbio do Rio de Janeiro, local onde subúrbio é sinal de pobreza (ou pelo menos menor nível de ostentação). Não é de se espantar que tenha lidado com a realidade das favelas cariocas durante meu processo de desenvolvimento intelectual. Essa realidade me fez gerar um alto índice de preconceito durante a adolescência, afinal, é difícil não tê-lo quando observamos que a criminalidade em muito pode ser associada aos morros. Passamos a temer as favelas, assim como discriminá-las, taxando automaticamente um “favelado” como um cidadão que merece nossa desconfiança. Lidamos diariamente com todas as problemáticas criadas pela existência desses locais, como o fato de que os moradores não pagam contas de luz, água, gás, TV a cabo, entre outras. Torna-se fácil detestar a favelização carioca, o que não estudamos, entretanto, é o motivo dessa existência. Nosso raciocínio condicionado ignora os fatores sociais que contribuem para isso, como o favorecimento às elites em detrimento das camadas menos favorecidas. Mas isso é um assunto profundo que não cabe ser discutido no momento.

Tudo só fica pior quando passamos a lidar com a realidade dos bailes funk realizados nos morros, que invadem acusticamente nossas casas e nos obrigam a ir dormir ouvindo, em alto e bom som, palavras de baixo calão, incentivando uma certa promiscuidade e desapego de alguns valores que consideramos tecnicamente morais. Essa invasão de nosso espaço condiciona o pensamento de “eu odeio o funk! Isso não é música! Isso é um absurdo! Tem que proibir”. Bem, a questão não é tão superficial a este ponto.

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De início, vale ressaltar o óbvio, porém ignorado pela maioria. Não cabe a uma classe específica determinar o que é a diversão de outra. Não cabe a mim, não cabe a você e não cabe ao convívio social das classes média e alta dizer que o baile funk deve ser proibido. Por mais ofensivo, por menor que seja a melodia, por pior que sejam as letras e a batida, esses fatores são estritamente pessoais. Esquecemos, por insanos minutos de raciocínio, que outras pessoas devem ter a liberdade de gostar daquilo que quiserem. A imposição de preferências remete-nos aos pensamentos rígidos de uma censura exercida pela classe dominante e essa é ainda mais prejudicial que a própria existência dos bailes funk. Logo, a idealização de que os bailes sejam proibidos não passa de, mais uma vez na história da humanidade, a classe mais forte tentando controlar a mais fraca de acordo com seus próprios padrões.

Entretanto, seria de plena inocência apenas defender esses eventos, uma vez que, analisando friamente, é possível identificar uma grande problemática advinda desse tipo de cultura. Mas que não é, conforme costumamos pensar, o fato de que os bailes funk promovem uma música de uma “péssima qualidade”.

Para começar, temos a questão das drogas. É de conhecimento popular que os bailes funk dos morros são eventos com intensa participação do narcotráfico e recheados não só de integrantes da comunidade como também de moradores do asfalto que buscam um outro tipo de divertimento. Os bailes ajudam a incentivar a cultura das drogas e isso pode ser considerado como uma má influência para a sociedade. Entretanto, o que dizer das festinhas classe-média? Será que são assim tão diferentes no que tange a questão das drogas? Tenho lá uma certa experiência e posso dizer com convicção que esse tema não é encontrado apenas nos bailes. A utilização da maconha, loló, cocaína, ecstasy, lança-perfume, LSD, entre outras, é amplamente visível dentro de festas que acontecem muito longe dos morros. O julgamento não pode ser parcial e, dentro dessa questão, os bailes funk trazem uma problemática comum em qualquer evento que reúna jovens à procura de uma diversão alucinada. Se fôssemos nos basear neste fato, não deveriam também as raves passarem à proibição? O problema existe, mas não adianta fecharmos os olhos para o que também está ao nosso redor e fingir que é apenas lá em cima. A solução não está em proibir, mas sim em fiscalizar (não só os bailes, como também as festinhas). O cumprimento da lei seria suficiente, mas não há interesse.

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Outro fator encontrado não apenas nos bailes, como também no convívio social, é a questão do volume. Os bailes funk tornam-se absolutamente problemáticos exatamente nessa questão. Está errado invadir as vidas de outras pessoas com a imposição de suas preferências e este pensamento também deve ser aplicado ao próprio funk, principalmente porque, quando acontece, é exatamente na hora em que a maioria da sociedade tenta dormir. O correto, porém absurdo, seria um isolamento acústico, uma alternativa que só nos faz rir, afinal, como imaginar uma grande cúpula ao redor de todos os bailes? Lidamos aqui com um problema sem solução viável que não seja através da regulação de horário ou de altura do som, mas que, provavelmente, continuaria incomodando a muitos. Porém, mais uma vez, podemos enxergar isso a todo o momento. O que dizer dos cultos em altíssimo som, que invadem as casas de pessoas que podem não seguir determinada religião? Entre tantos outros eventos que podem incomodar uma ou duas pessoas, mas que não podemos taxar como de menor importância, exatamente pelo fato de que preferência pessoal é preferência pessoal. Um insulto para mim pode ser um pagode no último volume durante um churrasco à luz do dia no meio da rua e, para outros, pode ser uma música que diz (peço a liberdade da expressão): “Xereca, xereca, xereca, xereca” repetidamente. Deveriam ambos os eventos passar ao crivo da proibição? E um culto da palavra de Jesus Cristo sendo pregado e ouvido em sua casa por uma família, com crianças, que segue o judaísmo, não seria também uma questão problemática?

Mas há sim, de fato, assuntos advindos dos bailes funk que devem ser tratados com extrema seriedade e que não são tão comumente visíveis fora desse determinado espaço. O primeiro deles é o incentivo à criminalidade através de músicas que pregam a violência contra o homem rico ou o policial. Essa questão é muito profunda pois condiciona o pensamento do integrante da favela à raiva daqueles que tiveram oportunidades ou àqueles que funcionam como instrumento do Estado para o combate de sua própria forma de vida. Porém, a questão vai longe e entra num ciclo infinito, pois, afinal, não seria exatamente a falta de oportunidades criadas pelo Estado que gera esse tipo de comportamento? Quem nasceu primeiro, a raiva ao Estado ou a falta de oportunidade ao indivíduo que a tem? Numa cultura que preza pelas vantagens à classe dominante, como julgar os que colocam-se contra, sem compreender o que passa na vida dessas pessoas? Um jovem que nasce em meio ao tráfico como única alternativa viável de sucesso e que enxerga ali o seu potencial de vida vai enxergar repressão e criar um ódio incontrolável daqueles que não possibilitaram-no de ter um bom estudo, uma vida digna, uma faculdade e um emprego com boas possibilidades financeiras. Logo, enxergando o PORQUÊ desse incentivo à criminalidade, podemos dizer que ele advém não de forma isolada, mas da ausência de esperanças gerada por uma sociedade elitista. Como dizer “proibamos os bailes funk pois eles pregam o crime”, sem resolver o problema que gera o incentivo ao crime? Seria apenas mais uma atitude da classe dominante forçando o comportamento da menos favorecida.

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Por fim, somando todos os problemas citados, podemos enxergar o maior deles, que é exatamente a combinação de milhares de influências dentro da vida destes indivíduos. Esta problemática pode ser chamada de “cultura do gozo”. É um fator social incutido em mentes sem esclarecimento (e sem oportunidades) que diz que o tênis de mola da Nike é um padrão social para a satisfação própria. É a vida do imediatismo, do sexo banal com diversos parceiros em uma mesma noite (conforme visto no judiciário brasileiro como “os filhos do bonde”, meninas que engravidam após terem relações sexuais com dezenas de parceiros em uma mesma semana e depois não sabem dizer quem é o pai), das DST’s, do culto à violência, do som alto como forma de mostrar que “nós estamos aqui, cambada de mauricinhos”. A cultura do gozo gera uma busca incessante pela satisfação imediata, sem pensar em qualquer consequência. E os bailes funk contribuem para esse tipo de condicionamento. Porém, mais uma vez, como dizer que a culpa é dos próprios integrantes das comunidades, ignorando nossa imensa parcela de culpa, no sustentamento de um sistema que ignora por completo qualquer melhora na condição de vida desses indivíduos?

É para se fazer pensar. Afinal, na próxima vez em que for xingar um baile funk, lembre-se da profundidade desse assunto e no fato de que eles representam não apenas um problema limitado, mas servem como um tapa bem dado para a sociedade poder enxergar a realidade: a existência humana não limita-se às TVs de LCD e computadores de última geração.

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68 comentários

  1. Já fui muito mais preconceituoso em relação ao Funk em si, hoje em dia tento relevar, até curtir, já fui em Bailes Funks (Ñ Cariocas), e achei legal, mas o problema, o que ainda me deixa com raiva do Funk, é ver esses “funças” (é da mesma família do Ladrão e gosta de parecer com um), que ficam andando por ai, com celulares e carros no último volume, apenas para mostrar que estão ouvindo…. pior ainda se vc tem vizinhos assim!, que ainda escutem isso de madrugada…


    AndersonZ1.


  2. Afinal de contas, você é a favor ou contra os bailes funk?

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    Normalmente eu não responderia, já que você decidiu se chamar “Alguém” e usar um email “lalala”. Mas vou responder.

    Eu sou tão a favor de bailes funk como sou de raves e outras festas problemáticas. E também tão contra quanto. Os problemas são visíveis e a PROIBIÇÃO dos bailes funk seria uma medida estúppida que não teria resultado ALGUM além de mais uma imposição da classe dominante sobre a menos favorecida. Não resolveria NADA.


  3. Caraca, não que eu esteja reclamando, mas que texto gigante.

    Eu li sim.
    Mas apesar de gosto não se discutir eu continuo não aprovando o Funk e ainda dizem “Funk é cultura”

    Pelas barbas de Moisés!


  4. Essa post de certo modo remete também a nós,ouvites de heavy metal.Não só pelo preconceito,uma vez que somos taxados de drogados,bêbados e satanistas,mas também pelo fato de sermos destratados igualmente por não estarmos no mainstream…


  5. Analisando, o que foi dito… Só existe uma solução o governo e o estado esta pouco se preocupando para isso, as armas que estavam apontadas para a favela agora se vira para a sociedade, a violência dos morros esta a descer e a se espalhar, eu temo, pois esse problema tende a ser incalculável.
    Eu digo uma solução, a Educação. Eu não sou formado em áreas da educação nem de psicologia, nem em qualquer área que estuda a sociedade, mais na minha própria ignorância eu sei, Sem educação Não da pra melhorar esses problemas, a Educação deveria ser uma Prioridade, melhorando a formação de nossa sociedade. Melhora a saúde, diminui o preconceito, melhora o governo, diminui a violência, e dezenas de outros problemas que vemos tão incessantemente nos jornais.


  6. Ok, mais precisa mesmo falar tanto palavrão? Eu não ligo muito, porem, é muito inconveniente quando você, por exemplo, para o carro em um semáforo com sua mãe e de repente um sujeito vem com o som no último volume com uma música obscena.

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    Gabriel, o que dizer do Hip-Hop americano, então?

    Tem tantos palavrões quanto o funk dos bailes cariocas (se não mais). O problema não está no palavrão. Eu não conheço um único rap americano que não fale obscenidades descaradas.


  7. Para mim é um caso sem solução aparente, e que só gera confusão.
    Não se deve acabar e sim tentar solucionar. Mas será mesmo que é possível ter uma festa dessa com som baixo, sem drogas e traficantes, sendo geralmente eles os financiadores de tal festa? Essa é a questão.

    E esse foi um ótimo texto, como de costume. Parabéns.
    E na penúltima estrofe, tem uma palavra errada ”que o tênis da “mola“da Nike..”. Veja ai.

    Abraços

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    É isso mesmo, refiro-me àqueles tênis de MOLAS que viraram febre.


  8. Uou, não esperava um post desse vindo de ti. Mas está aí, bom assunto para debater.
    Parabéns pela visão bem mais esclarecida do que tens mostrado.
    Infelizmente os bailes se transformaram em transtornos na vida de algumas pessoas, mas isso é, como voce mesmo disse, questão de fiscalização e legalização, normatização.

    Abraços cara
    Obs: Quando puder e se puder responda o email que te mandei, ok?


  9. Viva a diversidade! Temos que nos orgulhar!
    Abaixo às classes sociais, somos seres humanos Iguais com nossas Diferenças! Esse é o melhor paradoxo de todos! Eu não gosto de funk, mas me refiro ao funk, não às pessoas do funk! Fulano não é favelado, ele tem um nome próprio, a mesma coisa para o playboy, ele tem um nome!Mais difícil que não julgar é parar de ligar o nome de determinada atividade, função, classe, espécie, doença, etnia (ou porcamente chamada raça, que é destinada àos cães e outros aminais IRRACIONAIS) etc…

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    Calma, também não vamos exagerar. Os bailes funk não são motivo de orgulho, eles são o reflexo de um PROBLEMA como dito no texto e que geram ainda mais problemáticas.


  10. O Brasil deve muito aos bailes funks. O que seria da taxa de natalidade sem os bailes funks!? =D


  11. Na verdade não posso opinar muito, pois aqui onde eu moro não tem baile funk, digamos, “ao ar livre” ou em ambiente aberto como ai no RJ.
    Tem Festas de Funk em clubes fechados aqui, mas tenho certeza que não é como ai no RJ! Por ai, o negócio é bem mais “pesado”!

    Nos bailes funk de onde eu moro, o único bom da festa são as mulheres õ/. Loiras, morenas e etc. todas de shorts, saias e tomara-que-caia, entre outras roupas que deixam e muito a mostra partes de seus corpos. E pra mim, como um adolescente, certamente não tem coisa melhor, hehe.
    Na minha opinião, esse é o único bom dos bailes funk’s, porque a música em si é ruim e a quantidade de drogas que rola nesses locais são abundantes!

    Mas posso imaginar como é ir dormir tendo que ouvir “empina a bundinha, bota a mão no chão!” entre outras que não vale a pena citar… grande texto!


  12. Animal!!

    Comecei a ler o blog hoje, parabéns pelos textox. Alto nível!


  13. É… na existência humana também entra uma coisa chamada respeito, qualquer forma de som alto é uma forma de desrespeito, no caso do funk, vejo, ou melhor, ouço como um barulho/ruído desagradável, se intenso, barulho/ruído desagradável E desrespeitoso.

    Vai dizer que os cantores e os frequentadores dos bailes pensam em tudo isso que tu escreveste?

    As letras são simplesmente ridículas, e os tais preconceitos, são ligados aos ouvintes, aqui em Curitiba, principalmente dentro dos ônibus, onde os “manos/carçudos” ligam seus celulares em alta potência junto a um bando iguais a ele incomodando todos os passageiros. Agora, consegue adivinhar o toca?

    Se diversão é perturbar os outros, então a partir de hoje vou começar a dar petelecos nas orelhas das pessoas. Será que alguma delas vai defender isso dizendo que é uma forma de protesto contra a classe dominante?

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    Eu não defendi o baile funk, Daru, eu apontei as reais problemáticas e as analisei. E pode reparar que o volume é um dos pontos que mais critico.


  14. nah, prefiro simplesmente condenar os bailes funk, afinal, pra que pensar nos outros? os políticos fazem isso por mim -.-


  15. e o forró ?

    ——————————-

    e o forró?


  16. Gostei
    “a existência humana não limita-se às TVs de LCD e computadores de última geração”


  17. Olá. Ótimo texto para quem estava completamente sem inspiração.

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    E há quem diga que escrever não dá trabalho.


  18. a combinação de milhares de influências dentro da vida destes indivíduos.
    ai que tá! cada povo tem sua cultura. por mais que ela seja banal como é um baile funk!

    Torrone
    http://www.assombrador.com


  19. Acho que foi a melhor análise que eu vi sobre o assunto. Sinceramente, nada melhor do que observar a opinião de quem cresceu vendo tudo isso. Eu sempre evitei tocar nesse assunto, porque é algo que não presencio (a realidade da minha cidade é outra). Prefiro não “soltar pérolas” sobre isso.

    (…)

    Parabéns, ótimo texto. 🙂


  20. A culpa com certeza não é do baile funk, lugar onde tanto as pessoas de bem como delinquentes vão em busca de estravassar uma existência totalmente sem rumo e vazia. Vivemos em uma sociedade onde ética, moral e educação estão para a vida do mesmo jeito que o funk está para a boa música.

    ————————————–

    Vale só ressaltar: de quem é a culpa da existência do indivíduo ser sem culpa e vazia?


  21. Penso que não existe culpa e sim consequência. Assumir os próprios atos, não buscar culpados para os próprios anseios e necessidades. Quanto ao vazio acho que é inerente aos seres pensantes, pois para poder preenchê-lo é necessário buscar, do contrário não se sabe que é vazio! Quem será que posso culpar por não ter um Jato ou um Iate?


  22. Ótimo texto. Mostra como as ações públicas ficam jogando água pra fora do barco e esquecem que tem que tampar o buraco.

    Maaaas… Cultura do imediatismo tá incorporada em todo mundo que assiste TV ou já utilizou orkut, ou seja, qualquer um que não é um ermitão. Todos, até porque não é visto como um mal, como você escrevou no “ficar parado é uma armadilha”. Não é somente entre funkeiros.


  23. Música FUNK não é absolutamente NADA. Não tem letra, não tem melodia, não tem mensagem e não tem ritmo. Na maioria das vezes tem uma PUTA ou um VIADO, ambos roucos, tentando cantar porque alguém lhes disse que são contores, mas só sabem mesmo é falar palavrões. Para mim são verdadeiros criminosos porque não respeitam, sequer, os direitos das criaças ao seu redor, pouco se importando o que uma menina de 5 ou 6 anos irá pensar quando ouvir: “vou comer seu cú”. Esses desgraçados com certeza não tem irmàos, não tem pai e a mãe deve estar em algum prostíbulo por aí.
    Tudo bem, nada contra, afinal, se tirarmos um porco do chiqueiro e colocarmos numa cobertura em Ipanema ele irá odiar, preferirá chafurdar na porcaria com a qual sempre conviveu. Os funkeiros também tem o direito de chafurdar com a merda de FUNK, é um direito deles. Gosto não se discute, se lamenta. Mas daí a querer que nós, do asfalto, engulamos essa merda de FUNK, vai muita diferença. Seja ele quem for, a partir do momento que não respeita a Lei e nem os outros, e passa uma noite inteira obrigando todos à sua volta a ouvir essa MERDA, para mim são um bando de baderneiros criminosos, um bando de ZÉ BOSTOLAS sem futuro. Mais triste ainda é as autoridades comungarem com tudo isso e nada fazerem.
    Agora, cá para nós Felipe, chamar essa MERDA DE FUNK de cultura, tenha a santa paciência, cultura seria o samba, o forró, a música certaneja, mas FUNK? Sem falar na apologia às drogas e ao sexo. Depois que engravidam vão fazer fila na Defensoria Pública onde trabalhei por 3 anos, grávidas, para entrar com uma ação de alimentos, pasmem, contra um pai que nem sabem que é. ABAIXO A MERDA DE FUNK, coisa de república de bananas.

    ——————————————

    Eu não chamei o funk de cultura. Um estilo musical não é uma CULTURA. Vamos a definição do que é cultura?

    “Cultura (do latim cultura, cultivar o solo, cuidar) é um conceito desenvolvido inicialmente pelo antropólogo Edward Burnett Tylor para designar o todo complexo e metabiológico criado pelo homem [1]. São práticas e ações sociais que seguem um padrão determinado no espaço. Se refere a crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identifica uma sociedade. Explica e dá sentido a cosmologia social, é a identidade própria de um grupo humano em um território e num determinado período.”

    Funk não é cultura, mas faz parte da cultura das favelas cariocas.


  24. É engraçado que todo mundo que critica o funk só quer pensar na parte musical, naquela coisa de que não tem melodia, letra e toda a teoria musical etc. e esquecem que aquilo que se escuta hoje é algo que foi criticado extremamente. Basta perguntar aos nossos pais e avós como era chamado quem andava com um violão a tira colo. Só depois do endeusamento do indivíduo e da idolatria da “cultura de palco” que as pessoas passaram a “dar valor” a quem se presta à música em geral. O funk está aí e nao é p/ ser discutido, o que tem que se discutir é justamente o que tu falaste a respeito da desigualdade social e o que faz as pessoas cantarem certos tipos de música.
    A MPB dos anos 60 e 70 era música de revolta, por causa da repressão militar. O forró era música para as pessoas do interior poderem ter acesso à diversão e hj são shows megalomaníacos e tão pornográficos qt os bailes funk. O funk (do Rio) até o início dos anos 90 eram músicas de “protesto”, basta lembrar das duplas de MC’s, nem incomodava tanto.
    Eu gosto de Heavy Metal e não posso negar que o estilo que eu escuto é às vezes bem pornográfico e idiota, é só ver as ridículas bandinhas de Hard Rock e metidas a Metal que existem por aí, celebrando uma masculinidade sem fim.
    Apesar de achar que gosto se discute sim, não acho que seja esse tipo de discussão (em relação a proibir ou não o baile funk) que a gente tenha que levantar, mas porque o Brasil eleva à condição de idolatria certas bizarrices.


  25. Aqui em Natal/RN quase não existe festa com Funk. O que mais rola é forró mesmo! hehe Mas eu até gosto. O forró aqui é música das massas e de parte da “elite” também. Ah, Natal é uma cidade curiosa.. Se você rodar a cidade não verá favela nenhuma! Sim, pq as favelas estão “escondidas”.. E são poucas, comparando com a quantidade de favelas nas grande cidades.

    Bom, com relação ao assunto.. Eu sempre prego o respeito ao próximo.. Mas a questão é bem mais complexa.


  26. Sou carica e moro em São Paulo e aqui por incrivel que pareça, ouve-se muito funk. Não gosto da musica, não gosto do estilo. Tenho uma filha pequena e não gostaria de ve-la dançando isso, por isso proibo sim. ( lembrei do post do Strogonof rs*).
    Acho que muita gente não fica nervosa ao ouvir funk em alto e bom som, porque não te atrapalha pra dormir. Agora vai passar um dia na casa da minha sogra, a janela do quarto dela treme, de tão alto que os “pedrinha” deixão o volume do carro na rua. Temos que dormir escutando: – “Vai descendo, vai descendo….”
    E vai pedir para abaixar a porra do volume…


  27. Muito bom o texto. Deu pra parar e refletir. Soube colocar o funk ao lado de rave: a meu ver, duas formas de diversão que trazem a mesma idéia (som alto pra cacete até a hora que cansarem).
    Não tem como generalizar que todo funkeiro é marginal, assim como nem todo playboyzinho que vai na rave vai consumir LSD. Gosto é gosto, cada um tem o seu. O que não dá pra concordar é com a apologia ao ódio simples e gratuito. Tem que atacar o problema, não as pessoas.


  28. O funk é de uma cultura a parte. Não se verá no final do ano a transmissão do baile funk na televisão.

    Você escreveu sobre drogas nas favelas, mais isso não significa que todo mundo se drogue ou trafique, mas ainda assim gosta de ir para os bailes como lazer. Conheço pessoas da favela que trabalham, e tem computador e outros aparelhos domésticos. A imagem de que todos da favela passam fome é um estereótipo.


  29. Bom, é mais do que evidente de que proibir não é a solução. Afinal, o pensamento de que “tudo o que é proibido é mais gostoso” já está inserido na nossa sociedade. Tanto é que muitas letras de funk não são permitidas pela lei brasileira e mesmo assim aparecem no mercado independente na forma de “proibidões”.

    Não sei se você tem conhecimento, mas já existe uma lei que regulamenta bailes funk e raves (Lei 5.265 /08 – http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/contlei.nsf/0/ede57aa198e6e98d8325746d00606539?OpenDocument).Contudo, se você analisar o texto dessa lei vai ver nele existem várias brechas. Tanto é que já existe um projeto de lei (PL 1.983/09) querendo revogá-lo, invocando os argumentos de que a lei de 2008 seria inconstitucional por ferir a liberdade de manifestação artística e outros argumentos que de certa forma fazem um pouco de sentido.

    Então quando você fala em seu texto que “a solução não está em proibir, mas sim em fiscalizar.” fico um pouco relutante, pois fiscalização no Brasil é algo que dificilmente dá certo. Tomemos como exemplo as CPI´s da vida que vira e mexe acabam na famosa pizza. Dessa forma, concordo mais com a frase seguinte à sua afirmação: “O cumprimento da lei seria suficiente, mas não há interesse.” Fato.

    É importante notar que se as letras de funk são compostas por apologia ao crime, pela banalização do sexo, pelo consumo de drogas e etc. é porque este cenário realmente existe. É o contexto no qual essas pessoas estão inseridas. Criticar, todo mundo critica. Até mesmo os frequentadores assíduos das micaretas enchem a boca pra detonar os bailes de funk, o que eu acho até engraçado (não preciso nem dizer o porquê). Mas fazer algo pra mudar a situação, ninguém quer. É mais fácil lavar as mãos – e com sabão – ou tentar nos ludibriar com paliativos ao invés de fazer algo que realmente funcione. Afinal, moramos no Brasil não é mesmo?

    “Como dizer “proibamos os bailes funk pois eles pregam o crime”, sem resolver o problema que gera o incentivo ao crime?” Exatamente.

    Enfim, texto muito bom. Normalmente não costumo comentar em blogs, mas este post em especial me chamou a atenção. Volto por aqui. Abraço!

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    Pensamos de forma muito parecida 🙂


  30. Funk e Rave, ao meu ver são iguais: adolescentes procurando sexo e drogas (parecido com o que definem o Rock’n’Roll), resolver o problema que os dois geram (tráfico, DSTs, gravidez, brigas) não é questão de acabar com eles, primeiro por ser impossível, segundo que, mesmo se fosse possível, dariam um jeito de fazer algo parecido ou pior.

    A média dos adolescentes não se preocupam com os efeitos negativos das drogas, do sexo, ou se preocupam se estão incomodando alguém com o barulho. Apenas importam-se com o “eu, agora”, como bem expressa uma frase que ficou bem conhecida “carpe diem” e tem sempre alguém para tatuá-la.

    Estou limitando aos adolescentes, mas essa mentalidade egocêntrica atinge toda a sociedade brasileira. Para que me importar com a vizinhança enquanto prego o evangelho, se o que importa é o MEU Deus, a vizinhança é infiel, ela tem mais é que escutar, nem olho para os mendigos, danem-se eles, meu vidro é fumê, finjo que não existem.

    Aqui em Fortaleza o Funk não é tão em voga, mas, no lugar dele está o Forró, que, nunca fiz um estudo comparativo, mas possui letras de igual ou pior calibre. E todo dia eu passo por pelo menos 1 carro com som altíssimo: ou Forró ou Tecno. Egocentrismo.

    Minha opinião: o problema é cultural, sempre foi, o Brasil possui uma cultura egocêntrica terrível. Vemos pessoas furando fila no banco, no carro no retorno da avenida, copiando trabalhos na faculdade. Não nos importamos se alguém está mal, se eu faço alguém mal, se minhas escolhas vão repercutir na vida de outros (tal como transmitir uma DST em uma festa), o que importa é se estou me satisfazendo, mesmo que seja às custas dos outros.


  31. 1) – ” o que não estudamos, entretanto, é o motivo dessa existência. Nosso raciocínio condicionado ignora os fatores sociais que contribuem para isso, como o favorecimento às elites em detrimento das camadas menos favorecidas. Mas isso é um assunto profundo que não cabe ser discutido no momento.”

    ESTOU ANCIOSO PARA LER ESTE FUTURO POST. QUANDO VAI SER?

    2) – MASSA ESTE TEXTO

    3) – POR VEZES COLABORO COM BLOGS, ONDE A REGRA NÃO SEJA SOMENTE PIADAS E FOTOS ENGREÇADINHAS. NUM DELES ESCREVI UM TEXTO QUE TRATAVA DESTA MESMA TEMÁTICA. SE QUISER DÁ UMA LIDA:

    http://mestredasletrinhas.wordpress.com/2008/08/23/contexto-musical/


  32. Cara parabens pelo texto mais uma vez, bacana ver dessa forma.
    Tb não gosto muito de funck, sei que ha várias vertentes do funck, umas sadias outras nem tanto.
    Se não fizer algo sobre oportunidades nas favelas eles vão cobrar no asfalto ou nas casas de várias formas, o melhor é dar oportunidades, não dinheiro, sextas básicas, cheque cidadão… nada disso resolve.


  33. Funk é mais um rítmo da CULTURA DESCARTÁVEL.


  34. Favelados não pagam contas, aumentam a marginalidade seja ideologicamente por suas manifestações culturais ou tendo filhos sem educá-los originando bandidos ocasionalmente, espalham DSTs e prejudicam o país com atividades informais e não raro ilegais.

    São um fardo e isso é inegável.

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    E de quem é a culpa? Deles?


  35. Eu nunca havia pensado muito sobre o baile funk, mas mesmo assim ainda sobra bastante preconceito dentro de mim. Alguns funks eu até gosto, aqueles raros que não tem palavrão, por exemplo o MC Marcinho.
    Como você disse, acho que na questão de drogas se for proibir o baile funk então as raves também merecem o mesmo destino. Já que geralmente parece que tem bastante ecstasy nesse tipo de festa.
    E como a Gabriela disse, a fiscalização no Brasil também é um pouco preocupante já que é bastante fraca e muitas vezes não dá em nada.
    O problema de eu também odiar funk, é que faz muita apologia ao crime. Muitos tratam como muito dinheiro e droga coisas divinas. Dinheiro é claro que é preciso, mas como eles tratam na música é como se uma pessoa tivesse que fazer qualquer coisa pra conseguir dinheiro.
    Acho melhor dar uma paradinha porque as ideias na minha cabeça estão vindo de pouco em pouco e aí vai ficando um comentário confuso (se é que não já está). Mais uma vez parabéns. 🙂


  36. Cara eu tive duas fase FUNK e a Fase Rock
    Creio que tenho muito amis conhecimentoe cultura ouvindo musica com conteudo atualmente !

    Axé e Funk são criadores de ignorancia e marginais !

    Sinceramente posso ate está exagerando mais algumas partes do Rio deveriam ser isoladas (tipo B13)


  37. Eu detesto funk, forró, axé, pagode e sertanejo. Mas proibir uma manifestação cultural ( sim, funk é cultura nos termos sociológicos) é uma questão difícil, merecia um estudo. Eu prefiro tentar conviver com essa realidade. Já que muitas vezes politicos patrocinam os bailes, além de patrocinar o próprio tráfico.

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    Funk não é cultura, faz parte de determinada cultura.


  38. Felipe, não precisa aceitar esse comentário, afinal ele não tem nada a ver com o texto. 😉
    Acontece que eu li um texto fantástico aqui na internet e queria compartilhar com você. É o texto: “O mito do homem assassino”, de Eric Raymond.
    Leia, prometo que não vai se arrepender 😉

    http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/homemassassino.htm


  39. Realmente, preconceito não muda nada. O que muda é dar ao povo educação o suficiente pra essa merda parar de contaminar a cultura brasileira.


  40. Cada coisa no seu lugar.O maior problema tanto do baile funk, tanto das raives, cultos e etc é o volume do som, o que acaba atrapalhando as pessoas de determinada região.A partir do momento onde o som está atrapalhando outras pessoas em horario inaproriado o mesmo deve ser proibido (não importando o tipo de evento). A grande problemática do Funk são as letras obcenas,o que o torna pior que qualquer outro tipo de musica.

    Não adianta comparar isto, pois quando estou no farol com minha avó e um carro ao lado para e eu começo ao ouvir: Xerexa, Xereca, Xereca é totalmente diferente do hip hop americano onde boa parte da minha familica não sabe nem ingles.Quanto a questão do marginalização, eles mesmo (que são a maior parte da população) continuam marginalizados, votando em partidos de esquerda que fingem apoio a essa camada social.Sociedade etilista existe em qualquer pais onde o sistema socioeconomico seja o capialismo (alias o melhor sistema que funcionou na pratica ), mas nem por isso eu tenho que aceitar a imposição de ideias da população carente quando eles mesmo , involuntariamente ou não, alimentam a sua ignorancia e de suas gerações futuras quando dão seu voto.

    A questão é profunda e ao mesmo tempo não, pois quem carrega nas costas esse pais é a classe media, eu que acordo 5:30 da manhã para ir estudar e depois trabalhar e não consigo dormir por causa de vagabundos ( para mim que fica a madrugada inteira em bailes em dia de semana só pode ser chamado disto ) que colocam som alto.Ai eu preciso aguentar isso pois coitado deles que não tiveram oportunidade nem estudo.

    Como eu e voce sabemos o socialismo é uma utopia, bem como seus fundamentos ( um deles a inexistencia de uma sociedade etilista ).

    ———————————-

    Caio, sua visão da classe menos favorável é que está distorcida. Você diz que eles não sabem votar, mas eles não sabem votar justamente por influências externas, não porque são simplesmente imbecis. Eles não são causa, eles são consequência do sistema. Taxá-los disso ou daquilo é apenas apontar ao que está errado na sociedade, não neles.

    A proibição não resolveria nada, se antes não fossem resolvidos todos os problemas de base e infra-estrutura social para dar a essas pessoas condições de terem uma vida mais digna.

    Volume é um dos problemas principais, por isso falei da fiscalização. Que também é uma utopia.


  41. Como disse acima nos termos sociológicos essa porcaria é cultura. Vc está tendo uma visão antropológica sobre toda a Cultura brasileira, o que constituiria o funk como uma subcultura, mas na sociologia existe um relativismo cultural e mesmo dentro da cultura brasileira existem diversas culturas e subcultura. Logo, dentro desse nicho social que é a favela o funk é cultura, não só a música ou o baile , mas toda a manifestação popular do funk é cultura.Assim como a cultura nordestina, cultura Afro brasileira, punks, hippie … Enfim tais culturas seriam subculturas na antropologia, mas em termos sociologicos caracterizam cultura. A sociologia determina cultura por grupos de individuos e não por nações (Grupos étnicos). MAS…CONTUDO … PORÉM … TODAVIA… ENTRETANTO EU ODEIO FUNK!!!

    ————————————-

    Eu não concordo com essa visão Liliane, acredito que o Funk seja parte integrante da cultura das favelas cariocas, não uma denominação de cultura por si só.

    São apenas visões diferentes.


  42. muito bom post… mas o problema não está necessariamente no baile funk e sim no funk. Não são raras as vezes em que festas no “asfalto” tocam funk, e posso afirmar, num volume bastante alto. Além disso, o funk não é uma exclusividade de pessoas com baixo poder aquisitivo, pois os bailes também recebem muitos “playboys”. O que acontece, como você mesmo comentou, é que o funk, como qualquer tipo de música, é uma forma de expressão(nesse caso dos morros). Então como criticar uma música que fala da vida de pessoas que estão envoltas de violência e promiscuidade?


  43. já que você falou em rap americano com um cara aí em cima, um mais novo, com letras boas, sem clichês é o do grupo Flobots (“may day”, “we are winning”, “fight with tools”), o modo como eles misturam violino com o rap fica tão bonito quanto o modo como o Serj Tankian mistura piano com rock.

    *não precisa publicar esse comentário, só me avisa por email ou orkut se realmente escutar

    valeu, abraço!


  44. Olá Felipe, creio que seja a primeira vez que eu comento nesse blog, apesar de ler sempre. Posso dizer que, mesmo concordando poucas vezes com o que você escreve, acho sempre saudável a discussão de temas polêmicos em uma sociedade absorvida em temas tão banalizados =)

    No caso, achei esse texto uma verdadeira vitória: todos fazem questão de serem os primeiros a criticar a cultura dos mais pobres, mas quase nunca colocam-se na situação deles e reparam na falta de opção e na alienação que leva a atividades e lazeres ditos menos cultos. Não que eu defenda ou goste de funk, mas o aceito. Desde que não influa na vida dos outros, claro, e não me refiro aos mais ricos apenas, mas a qualquer um que não queira ouvir som alto no meio da madrugada.
    Por isso não entendi o que você propôs quanto ao volume: você apontou sensatamente que a proibição ou a fiscalização são alternativas utópicas, mas então o que fazer? Aceitar e viver com isso? Quer dizer, vamos continuar ficando surdos com o funk, porque não há o que fazer? Sei que você não é conformista a esse ponto.

    Outro ponto com que tive problemas foi a sua constatação de que funk não é cultura, mas parte da cultura. Ora, pra mim, parte de cultura é inerente à cultura. Não precisa ter vergonha em dizer que funk é cultura sim, mesmo que você não seja adepto ou que a julgue de capacidade intelectual inferior. A infeliz realidade brasileira é que criações tão rasas constituem, querendo ou não, a cultura nacional. Dizer que não é cultura é elitista e arrogante. E convenhamos, é assim em todo país.

    Enfim, espero ser mais assíduo nos comentários e que você continue propondo reflexões tão ricas =D

    —————————————-

    Você diz que farinha é bolo? Eu não.

    Sobre a solução, infelizmente as alternativas existem, mas nossa polícia e política não possuem interesse algum em resolver. O que fazer?


  45. pra quem gosta de bosta, eh um prato cheio


  46. odeio funk, assim como odeio pagode, forró, swing e blá blá blá, da nos nervos ):
    ótimo texto, e você? gosta de funk? (se gosta, não se é a favor de bailes)

    ————————————-

    Pessoalmente não gosto.


  47. Baile Funk é um lugar normal, já foi aqueles absurdos de baile de corredor e talz. Agora nego vai mais pra curtir , uma baile como outro qualquer , unica diferença é o estilo de musica que prioriza o nosso funk carioca, não moro em favela mas sempre vou numa conhecida aqui no Rio, “Rio das Pedras”.
    Diferente de outras lá é trankilão, e como varios sabem lá não é permitido drogas, muito dificil ver briga ou drogas lá, só o bom e velho funk.

    ———————————–

    Hahahaha, Rio das Pedras é outra coisa Lucas. Vá num baile funk do VIDIGAL que você entenderá a abordagem do texto.


  48. Você gosta da palavras advindo e derivados 😀


  49. Não tenho nada contra quem escuta funk,
    só q é meio difícil vc ter ir dormir às 3:00 da manhã e ter q acordar às 7:00 pra trabalhar. tudo isso pq meia dúzia de [pior adjetivo q vc possa imaginar] parece q só tem 10% da capacidade auditiva.
    palavras não são suficientes para expressar meu ódio.


  50. Concordo com o texto.
    O foda não é o cara gostar de funk, isso é problema dele.
    O foda é o cara me obrigar a ouvir aquilo.

    Da mesma forma que não obrigo ninguém ouvir Beethoven, não quero ser obrigado a ouvir pagode, ouvir funk, ouvir sobre Jesus Cristo…

    Outra coisa que poucos pensam é que em muitos casos a música serve como “terapia” para o ouvinte.
    O cara sabe que a música é ruim, mas ouve justamente por isso. Para poder falar besteira e tirar o stress do dia-a-dia numa “música” sem lógica.


  51. cara, posso ser sincero?! cada um faz o que quer e f-se, cabe a nós, blogueiros discutir e polemizar… alias, belo texto, muito bem escrito!!!


  52. Parabens,

    Seu link está nos LinksRedondos da semana. Acesse o Mundo Redondo para poder ver.

    Abraços e Sucesso.


  53. Beleza velho. Ótimo texto, de muita qualidade.
    Não sou muito fã do funk, mas de certa forma vejo que é uma forma de expressão com qualquer tipo de música ou afins. Todos gostam de criticar, mas em certas situações é necessário uma tolerância, mesmo que não nos agrade por completo.

    Volto a destacar o texto, muito bom.
    Abraços.


  54. Adorei o texto. Mas acho que faltou uma abordagem mais específica, além das imagens, em relação a promiscuidade das letras das músicas e da dança característica. Gostaria de saber a sua opinião em relação a isso. 😉

    Adoro os seus textos. Meus parabéns!


  55. funk e uma bosta so serve pra estragar as pessoas, SO POR DEUS, se ñ fosse essas porcaria no mundo ELE estava melhor……


  56. Departamentalizando os problemas: O foco não deveria ser o baile funk – nem a tentativa de colocá-lo em um ambiente com acústica sem espalhamento – mas o próprio barulho (todo é qualquer) que os aglomerados humanos geram. Um supermercado de porte e origem internacional disputar suas vendas com o cara da melancia ou do abacaxi de minas nas suas manhãs de domingo é tão ou mais pernicioso que os bailes funk e/ou seus seguidores que passeiam pelas madrugadas em seus “golzinhos” (e põe pejoratividade nisso!) com caixas de som que custam mais que os próprios veículos. Sou vizinho de muitas igrejas e faço questão disso, pois é um ótimo terreno para arrebanhar fieis (e como são fieis!) – e diuturnamente o som com suas pregações, cantos e hosanas tem contribuído bastante para o vicejante desevolvimenteo e comercio de public adress.

    []LouisCiffer


  57. Bom, primeiro sou contra qualquer tipo de sensura e proibir não seria o melhor caminho. Baile funk, acho que a maioria que tem um pingo de gosto por musica sabe que o ‘funk carioca’ nada tem de harmonia, e letras boas;mulheres se mostrando como se fossem objetos, o prazer pela sexualidade e a vulgaridade da mulher… porem o problema não está na musica, e sim em quem ouve. estou de total acordo com voce felipe quando diz que deveria ter uma fiscalização em qualquer evento desse tipo ( rave, funk, etc) indiferente de sendo na favela ou em um lugar de ‘playboys’, sendo rico ou podre, mas quem se importa ne ? ai que ta o x da questão; brasil pais de 3º mundo, crianças vão crecer ouvindo e aprendendo a realidade distorcida. a televisão vão continuar passando o ‘creu’ e outras coisas como se fosse um sinal positivo de cultura, ensinar seu filho a fazer a dança do creu será o supra sumo do aprendizado. ensinar que ser religioso é uma virtude…tudo isso conta… bom vou deixar bem claro, não sou contra a nada ! o problema em si não é o funk. O problema está em uma sociedade onde moradores das favelas são vistos como bandidos, policiais todos como corruptos e bbb como um entretenimento para toda a familia.
    Quando os brasileiros colorem na mão um livro, quando todo cidadão tiver um senso critico e cetico. O baile Funk e derivados não seram mais ‘OS’ problemas.

    obs. som alto realmente é um problema, sendo em festas ou na igreja.( ninguem aguenta ‘ cabecinha tudo 45x’ e ‘ Irmãos jesus está vindo…cade sua grana’


  58. NA BOA, O FUNK É UMA MERDA. DE TODOS OS RITMOS OU ESTILOS MUSICAIS QUE JÁ EXISTIRAM NO MUNDO, O FUNK É DE LONGE O PIOR. FICO PREOCUPADO SÓ DE IMAGINAR SE NAS GERAÇÕES FUTURAS VÃO CONSEGUIR INVENTAR ALGO PIOR DO QUE O FUNK.

    MAS JÁ QUE QUEREM DISCUTIR ESTE TEMA, LÁ VAI UMA PERGUNTA:

    NÃO DÁ PRA ESCUTAR A PORRA DESTA MÚSICA EM UM VOLUME QUE NÃO INCOMODE? QUEREM CHEIRAR, QUEREM TREPAR, QUEREM BEBER, FAÇAM ISSO SEM ATRAPALHAR O SONO DOS OUTROS. PODEM ESCUTAR O FUNK QUE VOCES QUISEREM, MAS SEM ME INCOMODAR.
    DIVERSÃO NÃO É INCOMODAR OS OUTROS!


  59. TE ODEIO, Seu blogueiro. Quem te deu o direito de escrever tudo que eu escreveria se tivesse um blog?! Cara, me vi escrevendo todo esse texto e esses argumentos. Refletiu perfeitamente minha opinião. Mais uma vez, Parabéns!


  60. “Gabriel, o que dizer do Hip-Hop americano, então?

    Tem tantos palavrões quanto o funk dos bailes cariocas (se não mais). O problema não está no palavrão. Eu não conheço um único rap americano que não fale obscenidades descaradas.”

    Eu odeio Hip-Hop americano, acho que é de baixo calão, tanto como o Funk, mas no Brasil todos gostam porque a maioria não entende o que esta sendo dito (bom, vendo as letras das musicas no Brasil hoje em dia, acho que amariam mais ainda se entendessem).

    Otimo texto, as always.


  61. Interessantíssimo esse seu texto. Aliás, seu blog como um todo é interessantíssimo.

    E digo mais, a questão de “Quem nasceu primeiro, a raiva ao Estado ou a falta de oportunidade ao indivíduo que a tem?” é mais profunda ainda. Quem começou a imbecializar a sociedade brasileira a ponto de os políticos só se tornarem políticos para obter stati econômico e social?

    Não se esqueça, também, que o funk – tanto quanto festinhas de classe média e alta – é um método de alienação tanto quanto as novelas, por exemplo. Dar vazão à necessidade básica de sexo é um método de alienação. E, na Época de um dia desses, mostrava que 85% da população jovem do Brasil se dizia religiosa.

    Aqui, eu PRECISO citar Lennon em Working Class Hero:
    “[They] keep you dopped with religion and sex and TV
    And you think you’re so clever and classless and free
    But you still fucking peasants as far as I can see”


  62. Parabéns pelo site e pela abordagem dada ao “problema” dos bailes Funk. Você abordou algumas vertentes desse enigmático produto social. numa análise superficial penso na contribuição ou não para gerações futuras, e sou forçado a acreditar que o Funk é um mal necessário. Mal porque promove desvalores morais para aqueles que estão em formação, as crianças, pois as letras, muitas delas apelam para a imoralidade extrema; necessário, com forma de expressão que pode ser de grande valia se dirigida à formação de consciência crítica, mas somente em se tratando de letras com esse propósito o que já é bem difícil, mesmo porque, como pretender que haja qualidade em letras feitas por quem não tem instrução escolar básica. Há que se policiar (não com polícia) os bailes, o que é difícil em se tratando de favela. Logo, o jeito é o que sempre acontece, por causa de alguns (que são muitos) muitos pagam a conta. o jeito é deixar a galera se divertir e impedir ingresso de menores nesses ambientes e impedir que rádios disseminem canções notadamente imorais e apológicas ao crime.


  63. Concordo plenamente e seu raciocínio é correto mas pertubardor.
    Indico um site muito bom com críticas despertadoras também:
    http://www.lucianopires.com.br , lá tem podcasts semanais.

    – Minha loja virtual: http://www.supertech-comp.com.br


  64. adoro funk


  65. Concordo que funk é gosto pessoal e cada um tem o direito de deixar entrar a merda que for em seus respectivos ouvidos. Portanto, se é pessoal, tenho o direito PESSOAL de ficar em paz na minha casa sem que esse tipo de som a invada. Não tenho a obrigação de expor meus vizinhos, muitas vezes parentes de alta idade, a uma verdadeira enxurada de letras sobre genitálias, drogas, violência e afins. Isso não tem absolutamente nada a ver com cultura de lugar algum, é falta de respeito total à paz alheia. Se quer chupar três rôlas ao mesmo tempo, cheirar sem parar ou espancar playboys, não dou a mínima. Só não preciso que ninguém venha jogar isso na orelha o tempo todo, seja em bailes com som no último volume, ônibus com celularzinhos sem fone de ouvido ou carros cuspindo baixaria e apologia à violência. Não dá pra defender isso.


  66. Eu curto diversos tipos de musicas desde protestos como rap a mpb, sei também que o funk já faz parte da rotina dos cariocas, mas temos que usar esse talento para escrever letras que exaltem a importância do estudo, de trabalhar do povo da periferia do moro ter uma vida boa, e não a crimes, pedofilia, estupros que é o que muitas letras acabam instigando, esse tipo de letra é um prato cheio para o sistema que só quer isso o pobre acabando com o pobre e ficar preso em sua “maquininha de fazer ignorantes”.


  67. Tem que proibir essa merda mesmo. Estado opressor? Preconceito? Preconceito é o caralho. O Brasil tem que ser um país democrata sim, mas não um país sem leis dominado pela bandidagem. Sem contar que esses lixos não devem saber da existência de fones de ouvido. Eles não se contetam em ouvir uma porcaria dessas, – que não tem como ser chamada de música de ângulo nenhum – eles querem obrigar todo mundo a ouvir isso. Celulares, carros, qualquer coisa que tenha uma caixa de som eles usam para colocar esse merda no último volume. Sinceramente, alguém que faz isso merece o mínimo de respeito? Claro que não.

    Querem um país melhor? Adotem pena de morte e a proibição desses marketings de traficantes e bandidos. Façam isso e vocês verão como o país se torna mais decente e digno de respeito no exterior.


  68. Concordo que o Funk seja subeentendido como Cultura, mas nao os proibidoes de hoje, onde apologia ao crime, incentivo a marginalidade e a sexualidade tornam por influenciar os adolescentes(cbeça dura/maria vai com as outras)a entrarem pra esse mundo obscuro e sem volta.O que mais assusta é a PUT*RIA do tipo vem “novinha senta aqui ou ali” qualifico isso como LIXO CULTURAL.Que muitas vezes, por falta de instrução ou ate mesmo uma falha dos pais, acabam caindo na marginalidade porque ouvem dizer nestas porcarias de FUNK:” como é bom ser traficante, que nois porta oakley, vai quicando cás novinha “. Ah isso me deixa mto revoltada.A que pé chegou esse caos social?. Mais de quem é a culpa?Seria do proprio Estado?! Cade a qualidde do Funk dos anos 90? ….



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